Atividade 5

Organize-se para a última atividade, que será um seminário realizado em sala de aula. O professor agendará a data do seminário. Mas antes você precisa preparar-se!

Após explorar todo o site, analise o texto e as imagens abaixo e leve em consideração:

  • Qual a relação do Egito com a África?

  • Por que algumas pessoas têm dificuldade de ver um Egito negro?

  • O que representa o embranquecimento do Antigo Egito? Quem eram/são os interessados nisso? Quais os resultados?

A origem dos antigos egípcios: seriam eles brancos ou negros?

 

É próximo às margens do vale do Nilo, no nordeste da África, que se situa o Egito. Na História, o Egito é uma sociedade importante porque foi uma das primeiras sociedades à registrar o seu passado, através da escrita e das imagens. O legado cultural do Egito pode ser verificado em monumentos famosos, como as pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge, nas coleções dos Museu espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, e no conhecimento que herdamos dos antigos egípcios. Atualmente, o moderno Egito vive desse legado cultural pelo turismo, que leva diversas pessoas a conferir essa História, que tem a ver com todos nós. O estabelecimento das primeiras populações humanas no vale do Nilo não se deu por acaso, mas ocorreu gradualmente, como o resultado de um longo processo histórico. Os historiadores acreditam que desde a Pré-História os seres humanos já se concentravam nas proximidades do Rio Nilo. Não existe hoje um consenso entre os historiadores a respeito da origem dessas populações que se estabeleceram no vale do Nilo e formaram os habitantes do Egito. Alguns historiadores acreditam que essas migrações teriam partido da região dos Grandes Lagos, na África Oriental, e de lá se deslocado pelo vale do rio Nilo até chegar no Egito. Já outros historiadores consideram que a presença de grupos humanos no vale desde a época Paleolítica até a sedentarização no Neolítico, acusa para migrações sucessivas que podem ter vindo de diferentes regiões da África após o aparecimento do Homo sapiens. Até o momento, o que é certo é que os habitantes do Egito são o resultado de migrações de origem africana que se sedentarizaram próximo ao rio Nilo em busca de recursos e segurança, tendo em vista as mudanças climáticas que ocorriam no continente. Essas populações tinham origem africana e seus tipos físicos se aproximavam muito do que hoje consideramos como negros – identificada pela pele escura devido à melanina. Isso não quer dizer que a sociedade egípcia fosse racialmente homogênea, pelo contrário, ela era miscigenada, não só pelas próprias variantes da raça negra, mas também pela mistura devido ao contato com outros povos, como os mediterrâneos e os hebreus. Os historiadores baseiam sua afirmação de que os egípcios seriam negros, em documentos escritos (gregos, latinos e hebraicos), na análise de imagens da época e no estudo dos achados arqueológicos, a exemplo dos esqueletos e múmias. Documentos escritos de época, como os de Heródoto, nos informam que os egípcios tinham “pele negra e cabelo crespo”, já Estrabão os relaciona à Etiópia, sabidamente negros. Essas informações são confirmadas nas fontes visuais, que apresentam pessoas de pele escura, cabelos crespos,

lábios grossos. Recentemente, com o desenvolvimento da arqueologia, da biologia e do DNA foi possível, por exemplo, medir a cor da pele das múmias, medir as dimensões dos esqueletos e reconstituir digitalmente seus rostos, que confirmam a descendência negra. Um fator decisivo para entender a origem das populações do Egito e sua ascendência racial ou étnica foi a confirmação de que a África é o berço da humanidade. Essa descoberta entende que os seres humanos partiram da África para povoar o resto do mundo e que as diferenças físicas entre nós se devem a adaptação do corpo ao clima. Todos teríamos uma origem comum e ela teria partido de migrações da África, como é o caso do Egito, cujo clima seco e quente faz o corpo dos indivíduos se adaptar e produzir mais quantidade de melanina, pigmento de cor escura que protege a nossa pele do sol. Essa confirmação teórica e os avanços da Arqueologia permitiram reconstruir a existência das migrações, entender as características físicas e raciais dos egípcios e, inclusive, desmistificar e lutar contra o racismo. Mas por que discutir a origem do povo egípcio e a sua origem racial negra e miscigenada é importante para compreender a sua História e a História da África? Até muito recentemente, uma História eurocêntrica – que gira em torno da Europa – tentava apagar o passado negro do Egito, afirmando que o egípcio era moreno ou branco. Esse processo de “embranquecimento” da sociedade egípcia ocorreu no século XIX e foi reproduzido em todo o século XX até muito recentemente, no século XXI, como podemos verificar não só nos livros de História, como também nos filmes e mídias sobre o assunto. O que motivava essa historiografia a embranquecer o Egito era justamente o preconceito racial, que tentava silenciar a cultura negra e sua História para poder explorar seu povo; um povo sem história é um povo sem identidade e sem referenciais para resistir. Foi o movimento negro, na luta contra a desigualdade entre negros e brancos, que pediu uma revisão nesta História como uma forma de lutar contra o preconceito racial. Nada mais justo do que corrigir os erros de precisão histórica que nos induzem à uma compreensão incompleta e deturpada do passado da África e dos povos que a compõe. Para o movimento negro, a redescoberta do passado africano é importante não só por corrigir um erro histórico, mas também por ser uma forma de luta, que constrói nos afrodescendentes uma identidade social positiva associada à riqueza da cultura egípcia; uma civilização importante, da qual herdamos muito conhecimento. A antiguidade egípcia seria para a cultura africana, o que a antiguidade greco-romana é para a cultura europeia: um elemento fundador de identidades. ·

 

Adaptado do artigo: DIOP, Cheikh Anta. Origem dos antigos egípcios. In: MOKHTAR, Gamla. História geral da África II. Brasília: Unesco, 2010.

Imagens de novelas e filmes sobre o Egito Antigo: